Caio Vaz: consistência, equipe e a construção de uma trajetória no topo do Enduro

Caio Vaz: consistência, equipe e a construção de uma trajetória no topo do Enduro

Tetracampeão brasileiro dos 160 km e campeão dos 120 km em 2026, Caio Vaz fala sobre a construção de uma trajetória marcada por resultados, trabalho em equipe, evolução constante e a conexão com os cavalos.

14 de agosto de 2026

Chegar ao topo exige talento, preparação e dedicação. Permanecer nele, especialmente em um esporte com tantas variáveis quanto o Enduro Equestre, exige algo ainda mais difícil: consistência.

Nos últimos anos, Caio Vaz construiu uma das sequências mais expressivas do Enduro brasileiro. Depois das conquistas internacionais e dos títulos nacionais, em 2026 alcançou um feito especialmente marcante: tornou-se tetracampeão brasileiro dos 160 km e campeão brasileiro dos 120 km na mesma edição do campeonato.

Mas, quando fala sobre os resultados, Caio rapidamente divide os méritos. Para ele, cada conquista é consequência de um trabalho coletivo, construído diariamente entre atletas, cavalos, colaboradores e família.

Em entrevista ao Conexão Enduro, ele fala sobre o que sustenta uma trajetória de alto rendimento, os desafios de permanecer competitivo, a importância da equipe e o legado que deseja deixar para as próximas gerações.

“Estar em constante aperfeiçoamento é a chave para uma sequência de títulos. E, claro, muita dedicação.”

Depois do Pan-Americano, vieram novos títulos e novos desafios. Quando você olha para essa sequência de conquistas dos últimos anos, o que ela representa para você?

Para mim, essa sequência de títulos é o resultado de uma equipe muito coesa, consistente e alinhada. Representa que estamos no caminho certo e que todo o esforço do dia a dia, principalmente dos nossos colaboradores, está sendo recompensado.

Ao mesmo tempo, isso nos dá ainda mais vontade de melhorar e aperfeiçoar aquilo que precisa evoluir. Acredito que estar em constante aperfeiçoamento é a chave para construir uma sequência de títulos. E, claro, é preciso muita dedicação.

Chegar ao topo é difícil. Permanecer nele talvez seja ainda mais. O que mudou no Caio atleta desde o primeiro título brasileiro até chegar ao tetracampeonato?

Sem dúvida, permanecer no topo é a parte mais difícil, ainda mais em um esporte com tantas variáveis como o Enduro.

Acredito que continuo com a mesma essência e a mesma dedicação, mas hoje tenho mais bagagem e mais confiança de que o trabalho duro é recompensado.

O Caio, em si, continua o mesmo. O que mudou foram os sonhos, as metas e a experiência acumulada ao longo do caminho.

Muitos atletas buscam uma grande vitória, mas poucos conseguem manter uma sequência de resultados por tantos anos. Na sua visão, quais são os pilares para construir consistência no Enduro?

Paixão, trabalho duro e uma equipe igualmente apaixonada, que olha para o mesmo lugar e compartilha as mesmas metas e os mesmos sonhos.

Para mim, esses são os principais pilares para construir uma trajetória consistente e, ao mesmo tempo, fazer com que todo esse processo seja mais leve.

Dois títulos em um mesmo fim de semana

Em 2026 você conquistou algo extremamente especial: foi campeão brasileiro dos 160 km e dos 120 km na mesma edição. Em que momento percebeu a dimensão desse resultado?

Essa sempre foi uma meta nossa: conquistar os dois títulos no mesmo fim de semana.

Tentamos em 2023 e novamente em 2024, quando fomos campeões dos 160 km e vice-campeões dos 120 km. Entramos no Campeonato Brasileiro de 2026 novamente com o objetivo de vencer as duas provas, dessa vez em uma parceria com o Haras Minas Gerais Endurance.

Confesso que, quando faltavam poucos quilômetros para terminar os 120 km, eu ainda me perguntava se aquilo estava realmente acontecendo.

E estava.

Acho que só compreendi de verdade a dimensão daquele resultado depois de passar pelo último vet check e ver a torcida — e, principalmente, a emoção dos meus pais.

“Quando faltavam poucos quilômetros para terminar os 120 km, eu me perguntava se aquilo estava realmente acontecendo. E estava.”

O trabalho que ninguém vê

Por trás de um resultado existe uma equipe inteira trabalhando. O que as pessoas que acompanham apenas a chegada não imaginam sobre tudo o que acontece antes de um cavalo cruzar a linha final de uma prova de 160 km?

Quem vê apenas o resultado final, principalmente uma sequência de bons resultados, talvez não imagine quanta resiliência é necessária durante toda a preparação.

Dentro de um ciclo de treinamento, muitas coisas não saem como planejado. Nem todo treino é bom, nem todos os dias os cavalos estão bem e eu também não estou 100% em todos os treinos.

Cada dia é um dia. Não somos máquinas.

Mas, quando existe uma equipe alinhada, tudo fica mais leve e as coisas se encaixam. Sempre temos uns aos outros para compensar aqueles momentos em que alguém não está no seu melhor.

O Enduro exige estratégia, paciência e controle emocional. Hoje, qual você acredita ser sua maior qualidade como cavaleiro?

A estratégia. É algo que venho trabalhando há muito tempo e no qual busco uma evolução constante.

Mas, sendo bem sincero e sem querer parecer repetitivo, acredito que a minha maior qualidade é a equipe que tenho por trás de mim.

Quando é preciso buscar algo a mais

Nas provas longas, todos os atletas passam por momentos difíceis. Depois de tantos quilômetros competidos, o que passa pela sua cabeça quando chega aquele momento em que precisa buscar algo a mais?

Confiança no processo e no trabalho realizado.

É nisso que penso quando preciso buscar algo a mais durante uma prova. Acreditar no meu cavalo e acreditar que ele quer aquilo tanto quanto eu me ajuda a encontrar força e, principalmente, calma para fazer o que precisa ser feito.

O Enduro é conhecido por criar uma conexão única entre cavalo e cavaleiro. Para quem nunca praticou, como você explicaria a sensação de completar uma prova ao lado do seu cavalo?

O Enduro é sinônimo de binômio, conexão e confiança entre cavalo e cavaleiro.

Acho que é uma sensação que só é possível compreender vivendo. É o momento em que você percebe que, durante aquela prova, você e o seu cavalo se tornaram um só.

“O Enduro é sinônimo de binômio, conexão e confiança entre cavalo e cavaleiro.”

Referência para uma nova geração

Você começou no esporte ainda criança e hoje se tornou referência para jovens atletas. Como é perceber que a sua trajetória pode inspirar uma nova geração?

É uma honra. Acho que essa é a palavra que melhor define.

Quando comecei no Enduro, tive vários cavaleiros nos quais me espelhava, como André Vidiz, Karina Arroyo e Patrícia Taliberti. Um legado que vai além dos pódios

Quando olharmos para trás daqui a alguns anos, que marca você gostaria de ter deixado no Enduro brasileiro?

Gostaria de poder contar a minha história muitas e muitas vezes para meus sobrinhos, futuros filhos, netos e para todos os jovens que estiverem começando.

E, por meio dela, mostrar o quanto o convívio com os animais, o esporte, a constância, a disciplina e o respeito podem nos levar aos lugares mais altos — nos pódios e também na vida.

E que, quando tudo isso é vivido ao lado da família, cada conquista se torna ainda mais especial.

Hoje, saber que posso estar inspirando, mesmo que um pouco, uma nova geração me deixa muito honrado.

“A constância, a disciplina e o respeito podem nos levar aos lugares mais altos — nos pódios e também na vida.”



Publicado em14 de agosto de 2026
Continue lendo← Todas as Notícias